A “Veia Negra” do Carnaval: Jorge Zamoner revela o histórico enredo da Acadêmicos do Grande Vale
Acadêmicos do Grande Vale traz a história da mãe de santo e porta-bandeira Maria dos Prazeres.
Quando Jorge Zamoner fala, o Carnaval de Joaçaba para para ouvir. Fundador da Vale Samba e da Acadêmicos do Grande Vale, o carnavalesco — que já perdeu as contas de quantos carnavais assinou em seus estimados 50 anos de folia — promete um desfile de 2026 carregado de significado, memória e justiça histórica.
Neste ano, a Vermelho e Branco não vai apenas passar pela avenida; vai contar uma história que muitos desconhecem, baseada em pesquisas de Zamoner e do saudoso João Paulo Dantas. O enredo gira em torno de Maria dos Prazeres, uma figura central para a cultura negra de Herval d’Oeste e Joaçaba.

“Mostrar a veia negra do nosso carnaval”
Zamoner explica que a escolha do tema vem para preencher uma lacuna na identidade cultural da região, muitas vezes associada apenas à imigração europeia.
“A gente queria mostrar um pouco dessa veia negra que tem no nosso carnaval, que todo mundo desconhece. Todo mundo diz: ‘Ah, lá em Joaçaba tem um carnaval maravilhoso… Como que pode? Não tem negro, mas tem alemão, italiano, polaco’. E a gente voltou o nosso olhar nesse sentido.”
Quem foi Maria dos Prazeres?
O carnavalesco detalha que a homenageada foi pioneira em diversos frentes: religiosa e cultural.
“A Maria dos Prazeres foi a primeira porta-bandeira do carnaval… A primeira porta-bandeira da Unidos do Herval (leia sobre o desfile da Herval aqui). E foi uma mãe de santo que contribuiu muito com o movimento dos negros aqui em Herval d’Oeste. Uma época em que havia um preconceito ainda muito violento.”
Ao levar essa narrativa para a Avenida XV de Novembro, a Acadêmicos do Grande Vale cumpre seu papel social e artístico, trocando energia com o público e ensinando que a “Capital Catarinense do Carnaval” tem, sim, raízes profundas na cultura afro-brasileira.

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